Cláudio Gonçalves

Luandando OS · Uma Viagem pela Arquitectura

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O Dossiê

Secção / 01 · O Dossiê

Cláudio Gonçalves · Arquitecto de Soluções de TI

“Alguém que faz a ponte entre a necessidade do negócio e a transforma em tecnologia, e vice-versa. Alguém que pega no output e o transforma em outcome, do ponto de vista das TI.”

Entrei nas TI no final de 1999, numa empresa chamada Grupo ECIL, em Luanda, sem qualquer conhecimento formal de informática — apenas curiosidade, e alguém que já lá trabalhava e indicou o meu nome. Comecei como sombra de um técnico que já estava na equipa. A rede ainda corria sobre cabo coaxial em vez de RJ45, as máquinas tinham Windows 95 em grupos de trabalho, e parte do trabalho era montar os computadores que a empresa vendia — Linha Branca, chamávamos-lhes, mais baratos do que comprar um já montado.

Em 2004 vi um anúncio no Jornal de Angola: o BFA estava a contratar. A primeira fase era um teste psicotécnico na Universidade Lusíada; mais de seiscentos candidatos fizeram-no e eu fiquei entre os trinta primeiros. Ligaram-me no mesmo dia e as entrevistas começaram no dia seguinte. Depois as vagas de TI preencheram-se antes de me conseguirem colocar, por isso passei cerca de seis meses num balcão comercial na Prenda, a contar dinheiro na tesouraria e a atender ao guiché, sempre a pedir para ser transferido. A abertura de um novo banco, o BIC, levou muita gente do BFA e foi isso que finalmente libertou um lugar para mim nas TI. Desktop Support, depois IT Operations, depois Administrador de Sistemas. O que dessa época mais me orgulha é pequeno e prático: o BFA estava a abrir balcões depressa, e propus montar uma rede que imitasse o balcão prestes a abrir, preparar e clonar ali os servidores e as estações de trabalho, e voltar a encaixotar o equipamento já pronto — para reduzir o tempo de instalação no local. A ideia foi só minha, e foi adoptada.

Saí do BFA em 2010 porque estava a repetir muito o meu trabalho e queria evoluir. Um amigo falou-me de uma vaga de consultor na Menshen, e os três anos seguintes foram uma rotação e não um posto: coordenei uma equipa de suporte na Cobalt, substituí um colega no papel de Administrador de Sistemas na TAAG enquanto ele esteve de férias, fui Administrador de Sistemas e coordenador na Ridge Solutions — e voltei repetidamente à Angola LNG para uma atribuição atrás de outra. A Angola LNG estava nessa altura a separar-se dos sistemas da Chevron e tinha de construir a sua própria infra-estrutura de raiz. Ajudei a levantar os primeiros controladores de domínio dessa nova infra-estrutura e trabalhei na migração das estações: cópia de segurança dos dados, instalação do sistema operativo, entrada no domínio, instalação das aplicações, reposição dos dados do utilizador.

Gostaram do meu trabalho ao ponto de me quererem contratar directamente, e conflitos contratuais na altura tornaram-no impossível. Quando a Angola LNG abriu um processo de contratação para um novo grupo de Administradores de Sistemas em 2013, concorri como toda a gente e fui contratado. A maior parte da minha turma foi para o Soyo; eu fiquei em Luanda. Não foi um começo do zero — já andava dentro daqueles sistemas, como alguém de fora, havia cerca de três anos. Seguiram-se cinco anos como Administrador de Servidores, fechados com um grande programa Microsoft em 2017 que nos tirou do Windows Server 2008 e 2008 R2 para o 2016.

Em Setembro de 2018, uma reunião geral do departamento anunciou uma nova equipa, Strategic Planning and Projects. A posição de Arquitecto passou para lá e fui nomeado para a ocupar. Quero ser exacto sobre como isso aconteceu: não me candidatei e não a ganhei. Veio de uma reestruturação da empresa, num ano em que as petrolíferas, aqui e no resto do mundo, estavam a dispensar muita gente. Um colega de equipa andava a preparar-se para o lugar. Eu fui designado. Não foi justo para ele. O que senti foi ansiedade, não orgulho. O meu objectivo na altura era passar para segurança, e não para arquitectura, e não sentia que servia para o papel que me tinham entregue. Sabia muito pouco do que ele exigia de facto, e andei perdido durante algum tempo.

Isso assentou devagar. Há um documento de que ainda guardo cópia, com o meu nome como autor: um acordo de nível de serviço para uma plataforma de identidade, de 2020. O meu perfil descreve-me há algum tempo como estando em transição para arquitectura empresarial, e a versão honesta disso em 2026 é esta: não há título novo e não há plano de transição. O que há é o trabalho. Organizei uma masterclass de arquitectura empresarial em 2025. Desde então escrevi o processo de revisão de arquitectura pelo qual a empresa se rege, montei o conselho que revê os desenhos antes de serem construídos, e redigi os princípios que lhe servem de base, alinhados com TOGAF, COBIT e ITIL. Sou responsável pelas checklists que usamos para avaliar uma arquitectura e para integrar um novo fornecedor. E o meu gestor definiu-me objectivos pelos quais respondo formalmente: revisões de arquitectura, avaliações assinadas para as soluções que temos implementadas, um inventário da forma como os nossos sistemas se integram, uma arquitectura de identidade alvo, e um registo das decisões por detrás de tudo isso. O trabalho de governação é real e está a decorrer. O título não mudou, e prefiro dizer isso a enfeitá-lo.

Por baixo de tudo isto há uma constante, e não é ambição. Sou preguiçoso para a repetição. Se tenho de fazer a mesma coisa duas vezes, vou à procura de uma forma de a tornar mais rápida e mais eficiente, e quase tudo o que construí em mais de vinte e cinco anos começou aí.

Anos em TI
25+
Anos na Angola LNG
13
Anos como Arquitecto
8

Áreas de Foco

Governação e revisão de arquitectura empresarialPrincípios de arquitectura, alinhados com TOGAF, COBIT e ITILArquitectura de identidade e acessosPadrões de integração entre plataformasModernização e migração de infra-estruturasAutomatizar o trabalho que se repete

Bilingue: português (nativo) · inglês (profissional)

A Crónica

Secção / 02 · A Crónica

Treze anos de evolução em arquitectura empresarial na Angola LNG, 2013–2026. Cinco capítulos são contados na íntegra; os restantes em destaques. Seleccione um ano para o expandir.

  1. O ano em que a Angola LNG me contratou directamente, depois de três anos a construir e a migrar os seus sistemas a partir de fora, como consultor a quem não podiam fazer uma proposta.

    Angola LNGInfra-estruturaConsultoriaComeços

Os Pilares

Secção / 03 · Os Pilares

Cinco forças que definem a prática, cada uma ancorada numa credencial concreta ou num historial comprovado.

01

Convergência OT/TI e Infra-estrutura Crítica

13 anos na Angola LNG — revisões de integração SCADA/PI/OT

02

Governação de Identidade e Acessos

Active Directory para mais de 500 utilizadores; autoria da SLA de MIM

03

Arquitectura Cloud e Infra-estrutura (Azure)

Formação AZ-303, AZ-305, AZ-500, Koenig Solutions

04

Governação, Risco e Conformidade

ISO/IEC 27001 Foundation (PECB); zero incidentes de negócio em 2019

05

Automatização e DevSecOps

SANS Cloud Security/DevSecOps Automation, 2025; ganho de eficiência de 30% com automatização

A Imprensa

Secção / 04 · A Imprensa

Escrita seleccionada sobre arquitectura, protecção de dados e continuidade. Publicada no LinkedIn.

O Registo

Secção / 05 · O Registo

IT Solutions Architect at Angola LNG — thirteen of my twenty-plus years in IT, after six years in banking at BFA. I design and review the systems a plant runs on around the clock, which in practice means IT/OT integration, identity, and making sure a server change doesn't stop a shift. Azure architecture and security (AZ-303/305/500), ISO 27001, and the Enterprise Architecture Review Process that now gates significant change here. I wrote that one.

O conteúdo do currículo está em inglês, o formato habitual para candidaturas internacionais.

Experiência

IT Solutions Architect

Angola LNG · Luanda, Angola · Sep 2018 – Presente

  • Named to the role in 2018 through company restructuring (not competition), which created initial anxiety about fit. Skill gap was real, but gradually resolved over years of hands-on work
  • Defines the role as: bridge from business need into tech and back; transforms output into outcome, IT-wise
  • Built governance infrastructure: Architecture Review Process (2023), Review Board for design pre-implementation, Principles Framework mapped to TOGAF/COBIT/ITIL
  • Owns assessment checklists for architecture evaluation and vendor onboarding; sets strategic direction across multiple platform domains
  • 2025–2026: doing the work of enterprise architecture — reviews, signed assessments, integration mapping, identity architecture — without formal title change

Server Administrator

Angola LNG · Luanda, Angola · Aug 2013 – Sep 2018

  • Direct hire in 2013 after 3 years building Angola LNG infrastructure as a Menshen consultant — not a cold start
  • Managed Active Directory for 500+ users; built PowerShell automation that improved efficiency by 30% through standardized SCCM patching
  • Owned external DNS, domain services, and SAP servers critical to 24/7 operations
  • Led the Windows Server 2008/2008 R2 → 2016 migration across critical systems in 2017 — a large program that touched everything at once

Senior Information Technology Technician

Menshen · Luanda, Angola · May 2010 – Aug 2013

  • Consultant rotating across four client environments rather than embedded in one role
  • Angola LNG (primary): built first domain controllers during Chevron separation; managed workstation migrations across OS, domain, application, and data restore
  • Cobalt: coordinated Desktop Support team; Menshen consultant project lead: Rob Silver, manager: Marcus Valdez
  • TAAG and Ridge Solutions: covered System Administrator roles; managed team coordination across multiple operational contexts

System Administrator

BFA — Banco de Fomento Angola · Luanda, Angola · Oct 2004 – Jun 2010

  • Placed top-30 among 600+ candidates in psychometric screening at Universidade Lusíada
  • Spent 6 months in treasury/teller role before IT seat opened; kept requesting transfer until one did
  • Advanced from Desktop Support → IT Operations → System Administrator over the course of his tenure
  • Invented server/workstation pre-staging for branch rollouts: cloned everything before shipping to cut deployment time from days to hours — idea was adopted company-wide as the standard for rapid branch expansion

Information Technology Help Desk Support

Grupo ECIL · Luanda, Angola · Dec 1999 – Apr 2004

  • Supported IT on coax/RJ45 hybrid networks, Windows 95 workgroups
  • Assembled "Linha Branca" (white-box) PCs company sold as cheaper alternative to pre-built systems
  • Started by shadowing existing technician; no formal computing training
  • Left to focus on studies after company management changes; ~6-month education gap before BFA

Projectos

Modern Windows Image Factory

Jul 2026

PowerShell open source que constrói imagens de referência do Windows 11 através de servicing offline do WIM via DISM, em vez de correr scripts de debloat em cada máquina depois de o Windows instalar. A remoção acontece uma vez, na imagem, antes de existir qualquer equipamento, por isso o primeiro arranque já é o estado final e não fica nada a correr que o utilizador possa interromper. São onze scripts sequenciais, cada um com dry-run por omissão, mais uma fase de máquina de referência com perfis THIN e THICK.

Teclado Mágico

Jan 2026

Uma plataforma para que os pequenos aprendam a digitar correctamente.

InfoSec Connect

Aug 2023 – Aug 2024

Um blogue sobre segurança da informação escrito de Angola, para quem cá trabalha. Sobretudo protecção de dados, e a distância entre os conselhos de segurança escritos lá fora e o que resiste na prática por cá.

PowerShell Scripting for System Administration

Jan 2023

Uma colecção no GitHub de scripts PowerShell para administração de sistemas do dia-a-dia: lembretes de reinício, limpeza da cache do Teams, detecção de ficheiros duplicados e pastas vazias. Cada um escrito porque a versão manual já tinha sido feita vezes de mais.

CAST — Comunidade Angolana de Segurança e Tecnologia

2011

Uma comunidade angolana de profissionais de segurança e tecnologia, activa desde 2011.


Certificações

Anthropic · Feb 2026
LinkedIn Learning · Jan 2025
Certified in Cybersecurity (CC)
ISC2 · Sep 2024
LinkedIn Learning · May 2025
Cloud Security and DevSecOps Automation
SANS Institute · Jun 2025
LinkedIn Learning · Jan 2025
BCS Foundation Certificate in Architecture Concepts and Domains
Koenig Solutions · Jun 2024
SFIA Fundamentals
SFIA Foundation · Jun 2024
Certified Associate in Project Management (CAPM)
Koenig Solutions · Jun 2024
Cloud Security Knowledge (CCSK) Foundation
Koenig Solutions · Dec 2023
ISO/IEC 27001 Foundation
PECB · Dec 2023
AZ-500: Microsoft Azure Security Technologies
Koenig Solutions · Nov 2023
AZ-305: Designing Microsoft Azure Infrastructure Solutions
Koenig Solutions · Jul 2022
AZ-303: Microsoft Azure Architect Technologies
Koenig Solutions · Sep 2021
Certified Ethical Hacker
EC-Council · Nov 2016
Computer Hacking Forensic Investigator v8
EC-Council · Nov 2016
Exam 410: Installing and Configuring Windows Server 2012
Microsoft · May 2013

Formação Académica

Universidade Jean Piaget de Angola
2000–2003
Colégio Elizangela Filomena
Ensino Médio · 1996–1999

Idiomas

Portuguese
Native or bilingual proficiency
English
Full professional proficiency

Competências

Architecture & Cloud
Cloud-Native ArchitectureCloud InfrastructureMicrosoft AzureCloud SecurityIT Infrastructure ManagementVirtualization
Identity, Security & Risk
Identity and Access Management (IAM)Information Security ManagementISO 27001Vulnerability AssessmentNetwork SecurityDevSecOpsIT Risk Management
Governance & Delivery
Risk ManagementProject Management FundamentalsStakeholder ManagementRegulatory ComplianceQuality Management
Systems & Automation
Active DirectoryPowerShell ScriptingAutomationServer AdministrationMicrosoft Endpoint Configuration Manager (SCCM)Performance Optimization

Correspondência

Secção / 06 · Correspondência

Disponível para conversas sobre arquitectura, governação e OT/TI.

Baseado emLuanda, Angola
IdiomasPortuguês · Inglês

Luandando OS

Cláudio Gonçalves

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